Trabalhar fora do Brasil é o sonho de muita gente. Além da experiência internacional, morar em outro país pode abrir portas para novas oportunidades, melhorar o currículo e até mudar completamente os planos profissionais.
Mas existe uma pergunta que pouca gente faz antes de embarcar: e se eu perder o emprego?
Em alguns países, quem fica desempregado pode receber um auxílio financeiro enquanto procura uma nova oportunidade. Só que as regras mudam bastante de um lugar para outro — e ser brasileiro ou estar trabalhando legalmente no país não significa que você terá direito automaticamente.
Por isso, se você está pensando em trabalhar no exterior, vale entender como funciona esse benefício no destino escolhido.
Preciso morar no país por quanto tempo para ter direito?
Essa é uma dúvida bem comum, mas não existe uma resposta única.
Na maioria dos países, o que realmente conta é quanto tempo você trabalhou e contribuiu para o sistema local, e não apenas há quanto tempo está morando por lá.
Ou seja: chegar ao país, conseguir um emprego e ser demitido poucos meses depois pode não ser suficiente para receber o benefício.
Cada lugar tem suas próprias regras, que podem envolver tempo de contribuição, quantidade de horas trabalhadas, tipo de contrato, visto e até situação financeira.
E atenção: o tempo que você trabalhou no Brasil não é automaticamente transferido para o sistema de outro país. Em alguns casos, acordos internacionais podem permitir que períodos de contribuição sejam considerados, mas isso depende do país e da situação.
Agora, vamos ver como funciona em alguns dos destinos mais procurados pelos brasileiros.
Alemanha
Na Alemanha, o benefício para quem perde o emprego é chamado de Arbeitslosengeld I.
Para ter acesso, normalmente é preciso ter trabalhado e contribuído para o seguro-desemprego por pelo menos 12 meses nos últimos 30 meses antes de ficar desempregado.
O valor recebido costuma corresponder a aproximadamente 60% do salário líquido, podendo chegar a 67% para quem tem filhos.
A duração do benefício depende de fatores como o tempo de contribuição e a idade do trabalhador.
Então, se você acabou de chegar à Alemanha e ainda não trabalhou tempo suficiente, provavelmente não poderá contar com esse benefício caso perca o emprego.
Portugal
Em Portugal, o benefício é conhecido como subsídio de desemprego.
Para receber o benefício principal, normalmente é necessário ter trabalhado e feito contribuições durante 360 dias nos 24 meses anteriores ao desemprego.
Brasileiros que estão legalmente em Portugal e trabalham de forma regular podem ter direito ao benefício, desde que cumpram os requisitos.
O valor corresponde, em regra, a 65% da remuneração de referência, respeitando os limites definidos pela legislação portuguesa.
Também existe o subsídio social de desemprego, que pode atender algumas pessoas que não conseguiram cumprir os 360 dias de contribuição, desde que preencham outros requisitos.
Para quem tem cidadania de algum país da União Europeia, também existem situações em que períodos de trabalho realizados em outros países europeus podem ser considerados.
Canadá
No Canadá, o benefício é chamado de Employment Insurance (EI).
Aqui, um dos principais critérios é a quantidade de horas de trabalho seguradas acumuladas pelo trabalhador.
Normalmente, é necessário ter entre 420 e 700 horas seguradas nas últimas 52 semanas. A quantidade exata depende da taxa de desemprego da região onde a pessoa mora.
E tem um detalhe importante para quem está chegando agora: as horas trabalhadas no Brasil, em geral, não contam automaticamente para atingir esse requisito.
Por isso, quem acabou de chegar ao Canadá pode precisar trabalhar por um determinado período antes de conseguir acesso ao benefício.
Além disso, dependendo do tipo de visto, perder o emprego pode trazer outras questões. Quem possui uma autorização de trabalho vinculada a um empregador específico, por exemplo, precisa ficar atento às regras do próprio visto.
Reino Unido
No Reino Unido, existe o New Style Jobseeker’s Allowance (JSA), um benefício destinado a pessoas que estão desempregadas e procurando trabalho.
O acesso está relacionado principalmente ao histórico de contribuições para o National Insurance.
Isso significa que simplesmente morar no Reino Unido não é suficiente. É necessário ter um histórico de contribuições que atenda aos requisitos do benefício.
Para quem acabou de chegar ao país, pode ser difícil conseguir o benefício imediatamente.
Dependendo da situação, também pode existir a possibilidade de solicitar o Universal Credit, que possui regras diferentes e leva em consideração fatores como renda e circunstâncias pessoais.
Austrália
Na Austrália, a situação é um pouco diferente.
O principal benefício para pessoas desempregadas é o JobSeeker Payment, oferecido pela Services Australia.
Ele não funciona exatamente como um seguro-desemprego baseado apenas nas contribuições feitas pelo trabalhador. É um benefício de assistência social que possui critérios específicos.
E aqui vai um ponto importante para brasileiros: quem está na Austrália com determinados vistos temporários pode não ter direito ao benefício, mesmo que tenha perdido o emprego.
Até mesmo quem consegue a residência permanente pode estar sujeito a um período de espera antes de poder receber determinados benefícios.
Por isso, se você pretende trabalhar na Austrália com um visto temporário, é muito importante chegar preparado financeiramente e ter uma reserva para possíveis períodos sem trabalho.
E como se preparar para uma possível demissão?
Mesmo sabendo que alguns países oferecem benefícios, o ideal é não depender deles como seu único plano financeiro.
Antes de embarcar, algumas atitudes podem evitar muita dor de cabeça:
Tenha uma reserva de emergência
Guardar dinheiro para alguns meses de despesas pode fazer toda a diferença se você ficar sem emprego. Pense principalmente em aluguel, alimentação, transporte e contas básicas.
Entenda seu contrato de trabalho
Antes de começar, confira informações como período de experiência, aviso prévio, regras para demissão e possíveis valores de rescisão.
Fique de olho no seu visto
Esse ponto é superimportante para quem trabalha fora. Dependendo do visto, perder o emprego pode afetar sua permanência no país ou limitar suas opções para conseguir outro trabalho.
Dê preferência ao trabalho formal
Além de trazer mais segurança, o trabalho formal permite que você acumule as contribuições ou horas necessárias para ter acesso a determinados benefícios.
Pesquise as regras do seu destino
Não deixe para descobrir tudo depois que chegar. Cada país possui regras diferentes, e saber como elas funcionam pode ajudar você a se planejar muito melhor.
Então, brasileiro pode receber seguro-desemprego no exterior?
Pode, dependendo do país e da situação.
O ponto principal é que o benefício não é garantido simplesmente porque você é brasileiro ou está trabalhando legalmente no exterior.
Normalmente, é preciso cumprir requisitos relacionados a tempo de trabalho, contribuições, horas trabalhadas, residência, visto e disponibilidade para trabalhar.
E para quem acabou de chegar, o planejamento é ainda mais importante. Afinal, pode levar alguns meses até que você tenha direito a qualquer benefício.
Por isso, antes de fazer as malas, pense além do emprego que você quer conquistar. Planeje também o que faria se esse emprego terminasse.
Ter uma reserva financeira, conhecer seus direitos e entender as regras do seu visto são cuidados simples que podem deixar sua experiência internacional muito mais tranquila.
Afinal, intercâmbio e trabalho no exterior são experiências incríveis — e quanto mais preparado você estiver, melhor!
